segunda-feira, 14 de junho de 2021

O "Choque Elétrico" e seus efeitos no organismo humano

Quem, dentre nós, já não experimentou um "choquinho"? Sabemos muito bem as estranhas sensações que tal experiência causa.

O que nem todos sabem é o risco que se corre quando inadvertidamente se expõe a um choque elétrico!

Fisiologicamente o choque elétrico representa a somatória da estimulação dos tecidos excitáveis (nervoso e muscular) resultando em contração muscular e sensações de dor.

A variável física da qual dependem todas as alterações biológicas no choque é a corrente elétrica.

Correntes muito pequenas podem ou não causar um choque. Existe um limiar acima do qual a passagem de corrente sempre causa a sensação de choque. Este limiar é em torno de 300 µA para correntes aplicadas entre  ambas as mãos de um indivíduo normal (média para a população 99,5% — 400 µA).

Com 1 mA atingimos o limiar da dor; com 10 a 15 mA a contratura muscular intensa; acima de 100 mA a fibrilação cardíaca com eventual morte, além de queimaduras graves.

Estes valores são para indivíduos jovens e sadios. Pessoas com problemas cardíacos podem vir a ter fibrilação cardíaca com correntes ainda menores.

O limiar de sensação e de contratura é menor para frequências de 50 a 100 Hz, tornando-se, aproximadamente cinco vezes maior para corrente contínua ou na frequência de 10 kHz.

No que tange à fibrilação ventricular, podemos dizer que se trata de um distúrbio cardíaco que pode ocorrer tanto em indivíduos sadios como nos cardiopatas, sendo que nestes últimos o limiar para a fibrilação é menor.

A fibrilação ventricular consiste na contração desordenada e aleatória das fibras cardíacas ventriculares, acarretando uma marcante diminuição do fluxo sanguíneo podendo, eventualmente, causar a morte. Para que ocorra a fibrilação por choque elétrico é necessário que este choque aconteça em determinado período do "ciclo cardíaco" denominado "período vulnerável". Deve-se supor, também, que as correntes que percorrem o corpo humano passem com certa densidade pelo coração.

O "período vulnerável" ocorre durante o início da "onda T" do eletrocardiograma e corresponde ao início da fase de repolarização do músculo ventricular. Durante esta fase, choques com apenas 100 ms de duração podem provocar a fibrilação ventricular.

A corrente necessária para produzir a fibrilação ventricular depende fundamentalmente da situação em que ocorre o choque. Assim, um choque de 10 mA, aplicado à superfície corpórea, pode não ser de intensidade suficiente para produzir a fibrilação ventricular. Esta mesma intensidade de corrente é, entretanto, 500 vezes maior que o limiar para tal fibrilação quando aplicada à superfície de um vaso sanguíneo. Isto deve-se ao fato de o vaso apresentar impedância menor que os tecidos circunvizinhos, fazendo com que praticamente toda a corrente elétrica flua pelo vaso até o coração.

Se levarmos em conta que a impedância inter-eletródica dos eletrodos mais comumente usados em medicina é da ordem de 1000 a 5000 ohms, concluímos que as diferenças de potenciais de 30 a 150 mV são suficientes para provocar verdadeiras catástrofes!

Vale a pena salientar que um cateter cheio de solução salina, ligado à veia ou artéria de um paciente e ao qual se conecta um transdutor elétrico, funciona, do ponto de vista elétrico, como um fio condutor. Assim sendo, se houver fuga de corrente no transdutor, esta se transmite, via cateter + solução salina, diretamente ao coração.

As atuais normas internacionais se segurança estipulam, como limites máximos aceitáveis de fuga de corrente em aparelhos eletrônicos, o valor de 300 µA (valor ótimo +/- 100 µA) para aparelhos que entram em contato apenas com a superfície corpórea (pele) e em torno de 15 µA (valor ótimo +/- 5 µA) para aparelhos que são usados no interior de vasos ou próximo deles.

As queimaduras, via de regra, só ocorrem com correntes maiores que 10 mA. Elas surgem devido, simplesmente, à dissipação ohmica (corrente fluindo pela resistência dos tecidos). Elas são tanto mais graves quanto maiores as correntes e, para um dado valor de corrente, menor a área de contato entre o ponto eletrificado e os tecidos, de onde se conclui que as queimaduras dependem da densidade de corrente por área de tecido exposta.

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